26 de junho de 2009

Tem gente que gosta do velho circo!


Olá, amigos d'A Caricatura.
Acomodamo-nos com a vida e deixamos de dar o punhado de valor que ela carece para atingir potencialidades cada vez maiores. Até semana última, era o caricaturado acima emblema maior do bizarro, do excêntrico, avizinhando o crime da pedofilia. E sempre tem um povo que espreita o desespero alheio para, de boca cheia do gosto que sentem as aves de rapina, dizer: "estão vendo, de que adianta ter dinheiro se é um estranho"?
Por vezes tenho a sensação de que uma das grandes diversões da humanidade é saber que existe alguém em pior situação... assim sentimo-nos bem; ficamos resignados e agradecidos por nossos pequenos dramas e seguimos a marcha. Mas a alteridade talvez seja a melhor razão para a existência: por mais peculiar e agressiva aos costumes gerais que seja a vida alheia, é, entrementes, uma profunda obra de arte. A morte chega e faz calar os risos que bradavam contra a diferença, deixando um odor de estranheza que não cessa. Michael Jackson passou de alienígena à gênio ante a lente das câmeras sempre ávidas pelo show; ante a mentalidade do abutre. Independentemente dos erros e acertos cotidianos, reconheceu-se nesse outro a humanidade sentida no peito próprio... é uma pena que se tenha de morrer pra isso acontecer.

Grande Abraço.

22 de junho de 2009

Quem está com a razão?



Olá, amigos d'A Caricatura!
Se tem uma coisa que eu aprendi com a vida de casado é: urge saber quando a razão está predida. Para mostrar tais pormenores pedagógicos, segue relato de peripécia própria...
Em matéria de serviços domésticos, sou o pai dos inaptos; desenho e escrevo, mas se a demanda tratar do conserto da pia, pode ter certeza que sai mais barato chamar o mais caro dos profissionais. Na semana última, Helena, minha digníssima senhoura, já havia dormido quando eu, como sempre trabalhando às altas horas, percebi que nossa cama estava levemente inclinada. Coisiquica à toa, como diria minha avó, mas para minha visão de caricaturista tratar-se-ia de uma desarmonia intolerável - menos pela falta de simetria e mais pela falha estética. De imediato joguei-me ao chão, heroicamente, e tratei de verificar o mal que havia usurpado a retidão do milenar aparato de descanso. Naquele momento deixei de ser inapto para com essas coisas; era o maior dos reparadores caseiros do planeta!
Já no primeiro ruído, Helena acordou e exigiu explicações sobre o porquê de tamanha perturbação:
- Estou consertando a cama - disse eu, com ar de majestade doméstica, ainda embaixo da cama.
- Mas isso é hora?
- É rápido, já vi o problema.
- Você vai quebrar mais - retrucou Helena num sobressalto, deixando a cama livre -, espera até amanhã... onde já se viu, fazer essas coisas numa hora dessas...
Em meio ao palavreado de descrédito de Helena, respondi (um tanto aborrecido):
- Você precisa confiar mais em mim, amor.
Eu havia vencido! O pequeno parafuso que, frouxo, provocara o desnível, já estava no lugar! A razão era minha! Nesse momento a cama quebrou e o estrado caiu sobre o meu nariz, rasgando-me a pele e fazendo-o inchar até ficar quase adunco. Desvincilhando-me do que sobrara da cama, com as faces embebidas em sangue, encarei o sorriso cínico de Helena e bradei:
- Está contente? Falou tanto que fez a cama quebrar!
Se aprendi outra coisa com o casamento, foi a seguinte: não importa quem está com a razão; eu sempre saio com o nariz sangrando.

Grande Abraço!

A ilustração acima foi para o grupo da Carta Capital.

17 de junho de 2009

Rapidinha do Eça!


Olá, amigos d'A Caricatura.
Esse post não estava programado, mas quando li a frase do grande Eça de Queiroz, resolvi dividi-la com vocês. Fantástica, não?
A caricatura é do meu livro - que, garantiu-me a gráfica, sai na sexta-feira. Aí, marcarei a data de lançamento.
Grande Abraço.
Toni.

13 de junho de 2009

Meu Habermas na Cult deste mês!

Olá, amigos d'A Caricatura!
Eis meu Habermas, que está nas bancas, encomendado pela Revista Cult. O pensador concebeu a teoria da Ação Comunicativa, que - numa grosseira simplificação minha -, trata da emancipação humana pela linguagem, tão somente, quando todos estiverem no mesmo patamar de possibilidade argumentativa.
Já, no Brasil, o nosso Chacrinha fez um síntese que lembra uma fala do Teatro de Revista: "quem não se comunica se estrumbica".
Grande Abraço.