
Olá, amigos d'A Caricatura.
Acomodamo-nos com a vida e deixamos de dar o punhado de valor que ela carece para atingir potencialidades cada vez maiores. Até semana última, era o caricaturado acima emblema maior do bizarro, do excêntrico, avizinhando o crime da pedofilia. E sempre tem um povo que espreita o desespero alheio para, de boca cheia do gosto que sentem as aves de rapina, dizer: "estão vendo, de que adianta ter dinheiro se é um estranho"?
Por vezes tenho a sensação de que uma das grandes diversões da humanidade é saber que existe alguém em pior situação... assim sentimo-nos bem; ficamos resignados e agradecidos por nossos pequenos dramas e seguimos a marcha. Mas a alteridade talvez seja a melhor razão para a existência: por mais peculiar e agressiva aos costumes gerais que seja a vida alheia, é, entrementes, uma profunda obra de arte. A morte chega e faz calar os risos que bradavam contra a diferença, deixando um odor de estranheza que não cessa. Michael Jackson passou de alienígena à gênio ante a lente das câmeras sempre ávidas pelo show; ante a mentalidade do abutre. Independentemente dos erros e acertos cotidianos, reconheceu-se nesse outro a humanidade sentida no peito próprio... é uma pena que se tenha de morrer pra isso acontecer.
Grande Abraço.



